Digital Matters: Designing/Performing Agency for the Anthropocene
O Antropoceno evidencia uma fratura fundamental na cultura contemporânea entre o que sabemos e como agimos. Na esfera pública, essa contradição pode ser resumida pela sensação esmagadora de apatia diante da crescente complexidade e das crises. No campo acadêmico, o Antropoceno tem sido associado à experiência do impensável por pensadores como Timothy Morton, Donna Haraway e Amitav Ghosh. No entanto, a atual pandemia de COVID-19 — que, como crise, também exemplifica o impacto humano sobre os ambientes e sua transformação — desafia a predominância dos conceitos-chave de abstração e impensabilidade. Em vez disso, a pandemia transformou o Antropoceno em uma experiência concreta, intensamente vivida e compartilhada globalmente. Ao fazer isso, a pandemia nos convida a refletir — e, mais importante, a experimentar — as fronteiras entre as esferas material e digital e as experiências em transformação que elas atualmente proporcionam.
*English bellow
The Anthropocene highlights a fundamental fracture in contemporary culture between what we know and how we act. In the public sphere, this contradiction can be summarized by the overwhelming sense of apathy in the face of growing complexity and crisis. In scholarship the Anthropocene has been tied up with the experience of the unthinkable­­ by thinkers including Timothy Morton, Donna Haraway, and Amitav Ghosh. Yet, the current COVID-19 pandemic — which as a crisis also exemplifies the human impact on and reshaping environments – challenges the pervasiveness of the key concepts of abstraction and unthinkability. Instead, the pandemic has turned the Anthropocene into a concrete, intensely lived, globally shared experience. In doing so, the pandemic asks us to reflect on and, more importantly, experiment with the borders between material and digital spheres and the shifting experiences they currently render.
Composing Choreographic Compost
LECTURE PERFORMANCE
Nos últimos dez anos, Lucas Ruiz Lacaz (brasileiro) vem criando novas formas de agência — tanto em formas de vida humanas quanto não humanas — para corresponder à realidade em transformação do solo. Em São José dos Campos (a uma hora e meia de São Paulo), Lucas está reciclando os alimentos excedentes das feiras livres e transformando-os em composto orgânico. Ele tem lançado uma série de perguntas à realidade em que vive, examinando as ações políticas, educativas, culturais, éticas e ecológicas que constituem essa realidade, destacando as questões urgentes das mudanças climáticas e da atual crise ecológica: Como nos sustentamos? Como estamos lidando com o excesso e o desperdício? Como resolver um problema que o governo ignora? Tornando visível e perceptível todo o processo de produção de alimentos, do solo ao mercado.
O fotógrafo reflete criticamente sobre a escassez e o desperdício por meio do processo de compostagem orgânica. O novo produto — o composto — aponta para renegociações nas dinâmicas das intra/inter-ações de todos os que trabalham com a produção de alimentos e com o lixo, revelando sua relação intrincada com coisas, objetos, outros animais, seres vivos, organismos, forças físicas, entidades espirituais e seres humanos. Alegoricamente, a compostagem também evoca noções de alquimia, purificação, mineralização, ritualização como valores éticos e políticos que orientarão nossos futuros e as transformações pós-pandemia nas práticas artísticas.
A compostagem de Lacaz é objeto da pesquisa coreográfica de Júlia Abs (brasileira), que explora seu processo como uma peça coreográfica. Estamos desenvolvendo uma análise coreográfica do processo de compostagem — aplicando os sistemas digitais Motion Bank System (Alemanha), no campo da anotação digital da dança — utilizando material audiovisual documentado, com o qual produziremos uma partitura digital. Na dança, entende-se comumente a partitura como um documento que fornece instruções para ações e que pode ser traduzido em performance.
Nosso objetivo é performar a partitura Composing Choreographic Compost no contexto da conferência Digital Research in the Humanities and Arts 2021, como uma mistura de apresentações ao vivo e digitais, apresentando maneiras de pensar as épocas por vir, que possam restabelecer o cuidado essencial nas atividades de produção de alimentos, compostagem, descarte, escasseamento, plantio, cultivo — considerando novas éticas de existência por meio da agência do solo.
For the last ten years, Lucas Ruiz Lacaz (Brazilian) has been creating new forms of agency – within both human and non-human forms of life – to match the changing reality of soil2. In São José dos Campos (one hour and a half from São Paulo), Lucas is recycling the surplus food from street markets and transforming them into composting.  He is he has been posing a number of questions to the reality in which he lives, examining the political, educational, cultural, ethical and ecological actions that form this reality, stressing the pressing issues of climate change and the current ecological crisis: How do we sustain ourselves?  How are we dealing with excess and waste? How can we solve a problem that the government is ignoring? By making the whole process of food production visible and perceptible, from the soil to the market. The photographer is critically reflecting on scarcity and waste by means of the organic composting process. The new product – compost – points out renegotiations of the dynamics in the intra/inter-actions3 of all those who work with food production and waste, and shows their entangled relation with things, objects, other animals, living beings, organisms, physical forces, spiritual entities, and humans. Allegorically composting also depicts notions of alchemy, purification, mineralization, ritualization as ethical and political values that will lead our futures and post-pandemic transformations of artistic practices.  
Lacaz’s composting is the object of choreographic research by Júlia Abs (Brazilian), who explores its process as a choreographic piece. We are working on a choreographic analysis of the composting process – applying the web-based software system Piecemaker4 and Mosys from Motion Bank (Germany, 2010 - ongoing)5 in the field of dance digital annotation – using documented video material, by which we will produce a digital score. In dance, score is commonly understood to be a document that provides instructions for actions and can be translated into a performance. Our aim is to perform the score Composing Choreographic Compost in the context of the conference Digital Research in the Humanities and Arts 2021 as a mixture of live and digital performances, presenting ways to think about epochs to come that can reestablish basic care within food production activities, composting, wasting, scarcitying, planting, growing, considering new ethics of existence through the agency of soil.     

DEZ

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