A dança e a coreografia atuais são entendidas como linguagens autônomas, que se apresentam para o público, no contexto de grandes museus (nos EUA, França, Espanha, Inglaterra, Brasil, entre outros) - com o subtítulo “arte contemporânea”. Assim, o projeto DANÇA NO MAC – com a curadoria da pesquisadora Júlia Abs, do departamento Inter unidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo, PGEHA-USP -, propõe aproximar o MAC-USP deste novo público. Isto posto, os potenciais latentes da relação entre a dança e o museu decorrem, em primeiro lugar, do fato de eles existirem dentro dos espaços internos e externos das instituições públicas. Abrem-se, assim, para a dança e para a arte contemporânea, possibilidades de construir processos com a história da dança, com as diferentes noções do corpo como arquivo, a exposição como performance, o compartilhamento do conhecimento e das pesquisas e obras artísticas. O museu torna possível para a dança, para além do seu modelo tradicional, a existência de um espaço dedicado às experimentações nesse campo novo e ainda inexplorado.
            A crítica à representação moderna na dança, foi um dos impulsos distintivos por trás da dança pós-moderna norte americana dos anos 1960, um impulso particularmente relacionado com o projeto político da performance art e da estética do minimalismo – como foi articulado no famoso manifesto de Yvonne Rainer, o seu NO MANIFESTO: “NO to spectacle no to virtuosity no to transformations and magic and make believe” (LEPECKI, 2006, p. 46). O principal movimento foi realizado pelo grupo Judson Dance Theater - formado por coreógrafos, artistas visuais, dançarinos, cineastas e músicos -, um agrupamento que resultou de um workshop liderado por Robert Dunn em 1960, um aluno de John Cage da New School for Social Research. Esse grupo transformou uma igreja em Greenwhichvillage – Judson Memorial Church -, em um espaço de experimentação, incorporando em seus trabalhos movimentos cotidianos como correr, caminhar, ou até mesmo comer um sanduíche. Eles formularam perguntas sobre a substância da dança: O que é a dança? Qual é o seu lugar no mundo? (LOWRY, MoMA. 2018, p. 12).
            A partir desse movimento uma grande mudança no campo da epistemologia do corpo, da dança e da coreografia vem acontecendo - desde o gesto disrruptivo do grupo de artistas da dança pós-moderna americana, com seus consertos de dança na Judson Church -, que, ao tornarem-se autorreferentes, passam a produzir obras e conhecimento sobre as faculdades que formam a dança como linguagem da arte: o corpo, o movimento, o espaço, o tempo. Consequentemente a coreografia também se expandiu, são múltiplas as abordagens e problemáticas que emergem dos processos artísticos acerca da composição, da origem do movimento, dos processos criativos, das discussões e produções teóricas que vêm sendo produzidos nos dias atuais. A elaboração de novos conceitos epistemológicos para o corpo, a dança e a coreografia são uma necessidade. É de vital importância, que o público participe desses processos para que seja possível acessar os novos formatos de obras coreográficas. 
            A conversa entre a dança, a coreografia e o museu, torna-se um novo lugar onde a expansão dessas linguagens pode ser conquistada, através de deslocamentos de práticas e de significados. Esses projetos expressam um reinvestimento no espaço do museu como espaço experimental (LISTA, p. 7, 2014).

Fotografias Sandro Miani
Fotografias Kiko Ferrite

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